quarta-feira, 25 de maio de 2016

Mesovórtices II


Um dia o vento trouxe uma mensagem.

Sustentou que a vida dela, precisava ser dilacerada com tanta crueldade, com tanta dor, para que assim, ela tivesse forças para sorrir e seguir o seu caminho. De outro modo não poderia, pois, seria ela que destruiria o mundo ao seu redor.
Afirmou que as falhas e os medos, foram os acertos do incompreendido. 
Confiou a ela uma história, que só ela podia escrever e que guardasse o divino, sempre num lugar que pudesse recorrer para agradecer e explorar. 
Condenou seus sentidos a uma sensibilidade dolorosa, que precisa e sempre precisará ser domada.
Fez ela destruir lugares e domar dragões. Ela tem monstros milenares, os quais na medida do possível estão domados e subordinados pelo seu poder.
Houve um tempo, o qual os ventos não trouxeram mensagens e ela chorou, mas, pouco a pouco, compreendeu que a temporalidade e ação do vento, não depende e jamais dependerá da vontade dela, então, ela sossegou, e o vento trouxe mais uma mensagem.
Desta vez ele trouxe apenas uma palavra, que ela guardou e vive até hoje em toda sua potência de realização tátil e irreal. 
A tradução do sentir, do querer, do viver universalizada em um único signo linguístico: amor.