domingo, 3 de abril de 2016

Transversal


Uma razão obliqua de ser, inunda as incertezas daquele cotidiano e mundo tão óbvio.
Tudo querer; amor, sucesso, prazer, sentir, dinheiro, poder.
Os passos iniciais de todas as danças foram comprometidos pela rigidez dela, que impunha condições de “exposição” para si. Nunca era observada aos próprios olhos, não sabia de si, muito menos do si de seu comportamento e vontades. Era só apresentação, não tinha verdades, mentiras, desejos, muito pouco, a única coisa que a concretizava em nosso mundo, era a fome. Era um animal perdido, arrebatado pelas amarras da condição de estar e do servir no mundo.
Configurada num ápice de faltas e descrenças, uma imperatriz do não-ser, embora fosse tudo, mas não sentisse nada, produzia aos demais todas as sensações, todas as vontades, todos os quereres, ah, se antes soubessem que ela era imune aos sentires, pobres homens contextualizados de liquidez, nunca compreenderam nada, nunca conseguiram fazê-la sentir, foram sempre a personificação dela sem pedir licença, foram sempre enviesados pelo que ela arrebata e pelas consequências do que produz.
Conhecemos alguém pelas consequências, pelos fatos, pelas palavras?
Uma palavra é tudo e nada.
Imaginaram uma condição de poder estar neste mundo e interpretaram cada um a seu modo.
A tradução do desejo é uma só; ultrapassa as espécies e se produz insanamente independente do objeto, o outro é uma captação de si, uma realização do meu desejo de desejar, um desejo nasce sozinho, mas completa-se na ilusão da fusão dos seres, muitas vezes mais do que na concretude da solidez dos corpos em ação. 

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