sábado, 7 de fevereiro de 2015

Desconhecido

De repente, meu coração acelera e não me envergonho, pois quando alguém passa em nossas vidas de forma tão forte é normal que isso aconteça, mas me senti retraída, estranha, policiando as palavras, contendo gestos, embora outros encontros tenham ocorrido, dessa vez foi completamente diferente.
Parece que eu não estava a vontade com aquele que fazia-me sentir tão eu mesma. Depois do "susto", ainda persegui o fantasma do amigo, do homem, cheio de tantos afins que antes eu conhecia. Deparei-me com um estranho, não conseguia olhar em seus olhos, não conseguia pronunciar uma palavra naturalmente. Assustada, cruzei as pernas, pois em algum campo do meu corpo o mal estar ficaria exposto e minhas pernas tremiam e eu as apertava tentando esconder minha aflição. Acendi um cigarro e tentei sorrir e me fazer a vontade diante das conversas. Um pedaço de mim era invadido naquele instante de "prisão" e eu me sentia sufocada.
Ainda sinto a sensação de choro travado, palavra presa.
Não reconheci em mim o bloqueio do meu pensamento, uma espécie de morte dos sentidos da minha mente. Enquanto uma imensidão de pensamentos conversavam e brigavam entre si, vi um corpo tremendo e uma mente completamente bloqueada, uma pausa no filme das minhas ideias que refletiam exatamente no meu corpo tirando-me dali, mas sem me levar a lugar algum.
O telefone tocava e eu estava atrasada. Em outros tempos esse chamado não mudaria o roteiro, em outros tempos havia sincronia entre essas duas almas ao tentar desenrolar os novelos engalhados de suas vidas.
Senti uma espécie de morte súbita, por isso a falta inédita do que pensar, dizer...
Não havia mais reticências.
O telefonema que antes, pouco influenciava no prazer que se sentia, dessa vez foi meu prêmio de loteria.
O que era sublime e doce estava morrendo naquele instante, como se apagassem minhas melhores memórias da infância e tudo reduzia-se a um nada branco e mudo.
O som impenetrável de quando estávamos juntos não fazia diferença naquele momento, não sei se pelos corpos presentes, mas não existia mais impenetrável entre os nós. 
Então, fugi o mais depressa possível, senti uma necessidade de apagar tudo, todos, ele principalmente, toda aquela mesa queria ser exterminada pela minha memória. Todo passado misturado ao que me tornei invadia minha consciência numa disputa dolorosa. Essa sensação estranha de ser golpeada na memória através da estranheza que vinha do outro. A estranheza vinha dele.
Hoje encontrei um outro homem, com o mesmo tipo físico, mesmo perfume, mas completamente diferente de quem conheci. 
Senti um medo doloroso de não poder mais ver o verdadeiro, o que não compreendo é que não sei o que mudou, onde mudou, ou se foi apenas uma impressão de um dia difícil que vivi. 

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