terça-feira, 12 de agosto de 2014

Do Impulso I

Dos sonhos: sambar em território rachado. 
Um tipo de desafio e força quântica. 
Um tipo de exuberância ao contrário.
Um tipo de território espetacular do improviso.
Repito e afirmo, dos sonhos: sambar em território rachado.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Imago

Mesmo em poucas frases, algumas vezes, uma palavra define tudo o que você não disse, mas de alguma forma por ali passou, dai você guarda e só "relê" um tempo depois na tentativa de compreender o que é, o que sente e como lida com o que sente.
Nessas horas recorro a alguns livros, a um livro especifico e parece que ali me "salvo" dessa embriaguez sentimental que se apodera de mim. Costumo assumir minhas dores e alegrias, mas fui enjaulada e tentaram me submeter a Ordem, uma pena, minha espécie não sobrevive sem anarquia. História batida, clichê de "gente intensa", mas é assim mesmo, a gente é um pouco disso tudo e do que nega muito mais do que o que afirma.
 

Maíra, Helena, Luíza, Júlia...todas elas já foram parte de mim ou de alguém que eu quis ser.
Matei todas e pelo mesmo motivo: excesso.
Ontem conheci Ana e não espero nada, nem que seja bonita, muito menos inteligente, de Ana quero que ela venha e me descubra. Prefiro até encerrar por aqui e nem citar mais seu nome, melhor prevenir, melhor silenciar, deixa Ana chegar e vê o que acontece mais tarde. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Elas

Estou atrasada e nasci amanhã.
"Bésame, bésame mucho...
Coloquei o pião para girar e deixei as coisas acontecerem. Três ou cinco possibilidades surgiram e eu aceitei aquela que me iludia mais.
Ela caminhava levemente pelos meus pensamentos e no carro eu escutava o mais famoso bolero. Sentia aquele frio na barriga e uma sensação de alvoroço, talvez eu tivesse medo do que poderia acontecer ou do que eu me tornaria, mas não resisti e concentrei meu pensamento na dança que havia quando ela vinha.


A Outra já não fervilhava em mim, era morna, doce e encantada. Eu podia sentir seu gosto só em olhar pra ela, existia um certo vibrar quando ela aparecia, mas era só um vibrar e inquietação era tudo que eu precisava. 

Aquela, ah, Aquela me maltratava, tirava meu sono, minha sanidade, minha decência. Uma vez cheguei em casa e ela me esperava com gosto de whisky e cigarro na boca, com cheiro de desejo e uma ardente urgência que maltratava minha forma. Não esperava todos os pecados de uma vez, mas não pude resistir, minha natureza obriga o que eu devo adiar.

Quem era possível? Quem eu permitiria

Nenhuma delas somente e todas se somente pudesse ser.

Nasci hoje, te encontro ontem.

"Bésame, bésame mucho..."

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Perspectiva

Hoje vi um beija-flor azul ou eram tons de azul, eu quase nunca vejo beija-flores e desde criança criei uma tradição, toda vez que os encontrava ou eles me encontravam eu fazia um pedido. Durante toda minha vida alguns pedidos foram realizados e eu dei grandiosidade a isso. Hoje eu fiquei emocionada, era bem cedo e um tanto distraída percebi que um beija-flor estava quase ao meu lado parei a respiração por segundos e meu coração disparou, fiquei estática querendo parar o momento. Mas diferente de antes dessa essa vez eu decidi agradecer, não que eu não tenha o que pedir, tenho e muito, mas agradeci por estar diante de uma delicadeza que me alegra e me faz sentir arrepios internos de felicidade. Rapidamente ele voou e eu voltei do meu estado de graça, comecei a chorar e parecia que o que me aprisionava ia embora junto com as lágrimas que escorriam tão generosas sobre o meu rosto. 
Eu chorava por ter visto a beleza tão mágica e sutil daquele beija-flor, chorava por saber que era daquilo que eu precisava, da beleza simples das coisas, das pessoas, de mim. 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Recortes da Caixa de Pandora VII

Eu gostaria que aquele filme continuasse, que as flores não encobrissem nada, que as tais horas não passassem em vão. Gostaria que a chuva não viesse com pingos de melancolia, que quando o sol abrisse eu me deixasse tocar e que eu despetalasse, que minhas palavras soassem como um sopro de alívio e que eu me transformasse em agradáveis flores e exalasse primaveras...

domingo, 2 de março de 2014

Um dia

Talvez eu nunca tenha tido de fato coragem, foram ensaios ousados de uma vontade de Ser. Mas coragem? 
Sou aprisionada pelo medo da reação, permaneço mediando o que desejo e o que deveria fazer, acabo sufocando o que verdadeiramente seria. 
E como é terrível privar-se da liberdade de ser e sentir o que exala pelos poros do corpo e da alma. Quando tenho tudo nas mãos não sei exatamente o que fazer e tenho medo de tudo, dois passos para frente, uns dez para atrás. Minha unidade de medida é a razão, mas eu nunca sei se a hora é certa, muito menos se estou pronta e vivo pincelando insanidade e impulso, pois para sobreviver a toda essa onda enérgica que eu sou é preciso insanidade ou pelo menos achar que é insano. 
Sempre ilusões, sempre o tempo errado, o sentimento certo, a vida rápida ou lenta demais não encaixando nessa sensação dolorida de viver. 
Uma vez viajei sem avisar, acordei cedo, peguei o ônibus e fui. buscava paz, buscava aquelas conversas comigo e fui, a sensação de não prestar contas a alguém me fez sentir algum tipo de liberdade, tinha o álbum completo de Placebo e umas músicas bem especificas de Maria Bethânia, eu queria vivê-las todas e eu fechava os olhos e fingia um destino, não sabia o que me esperava em cada canção e imaginava sempre uma nova história, uma nova vida, a minha não me bastava. 
Chegando, corri para o mar, olhei, olhei e queria me jogar, queria tirar a roupa, ser primária, primitiva, quem sabe o que eu queria...
Queria o mundo, a vida, as sensações, as realizações, queria tudo, engolir tudo, viver tudo, ser tudo. 
Sentei a beira da praia, das minhas emoções, do abismo e fiquei admirando aquele vai e vem do mesmo se renovando em cada cheia e baixa das marés, eu podia ser marinheiro, pensei...
"...a água do mar na beira do cais, vai e volta, volta e meia, vem e vai..."

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Quem

Não se pode invadir um espaço, não é mesmo?
Por educação, por consciência, por todas essas coisas que nos ensinam.
Duas pessoas e dois tempos totalmente distintos, uma vem do futuro e a outra mora no passado. Um ano fixo, um lugar fixo e uma vontade desconcertante de permanecer nesse lugar "perfeito". Parece que Ângela vive presa nesse mundo inalcançável.
Uma babaquice manter um mundo que não existe, é como planejar uma ilusão e não conseguir ultrapassar esses falsos prazeres. Depois reclama do que não tem, do que quer, do que não foi e reclama, reclama tanto que as forças que podia usar para viver se esgotam e então ela sobrevive e luta contra a chuva, contra o trânsito, o marido, o amante, o filho, a prestação do carro, ela combate o tempo todo e vive exausta.
Nunca vi mulher tão "compromissada", paga para trabalhar, paga para ser, para estar, para permanecer. E tudo é muito caro, tudo é muito difícil e cansativo e penoso e ufa!
Bom seria se ela não aprisionasse essa outra que a constitui.
São duas, duas maravilhosas mulheres, uma dentro da outra, duas pessoas, duas vontades, duas decisões, no entanto, a que hoje prevalece é essa chata que tenta controlar o mundo ao seu redor. Uma vez conheci a outra Ângela, linda, até a forma de falar era agradável, era paciente e forte, segura, uma dessas mulheres admiráveis e livres e imagina, me apaixonei. Depois de quase vinte anos eu ainda sonhava acordado, seria capaz de tudo em nome desse sentimento, seria capaz de renunciar os próximos anos e ter de volta aquela mulher do passado que representa todo meu futuro.
Por que eu amava o passado?
Eu era tão complicado quanto ela, queria aquela Ângela e ela queria aquela também, mas que não era a minha.
A minha era diferente da que era ela e ela era a minha que eu queria sem saber que era. Eu era aquele que nunca ultrapassou o muro que uma delas construiu. Eu podia ter derrubado o muro e ela podia ter aceitado. Duas pessoas e uma vontade, três pessoas e a verdade de cada uma delas. Eu era ele e ela poderia ter sido nós. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Recortes da Caixa de Pandora VI

Talvez eu te confunda em meus retratos, mitifico um personagem infantil.
Pelos teus olhos enxergo a minha neutralidade e uso em meu favor teus relatos. Tão segura quanto sã, aventuro minha alma nos caminhos do teu passado e através dos teus verbos conjugo minha crença, acreditando em nosso futuro mais que perfeito.
Entorpecida e envolvida, bebo-te diariamente e embriago-me em tua música. O instrumento que me faz assim prefere tuas notas, tuas cifras. Dedilha minha alma e me delata aos poucos, escancara o que de fato é seu.
Seja íntima, seja assim, seja agora.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Recortes da Caixa de Pandora V

Nada de pouco, me venha inteiro e entregue. Meu amor nunca é de menos, por isso minhas relações só ganham 'nome' quando de fato estou apaixonada, mais que isso, quando eu posso dar o que transborda em mim. Se não posso transbordar emocionalmente te alimento com meu corpo e só. 
E não me julgue por ser assim quase explicita, desejo tem nome e ação e "eu nunca fui razoável com os meus próprios desejos..." muito menos com meu amor, por isso repito: precisa haver merecimento.
E a gente só ama quem admira, ao menos eu sou assim, já desejo é outra coisa, é outro estado, embora no meu caso não seja ligado a um corpo, mas ao conjunto das ideias aliadas ao corpo do ser. 
Eu sinto com a alma e meu corpo é só o instrumento do meu prazer.