sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do que se esvai

Dizem que não se pode domesticar os dragões, dizem que o vermelho e o negro não se misturam, dizem que somos feitos de fome, fome de desejar, de alimentar, de querer, entre e em tudo queremos nos saciar. Vivemos em busca de paz, mas eu só vejo guerras, vejo falta de respeito a todo instante e vejo pessoas com fome, mas com fome da vida do outro, de sugar, comer, estraçalhar e sobressair a qualquer custo. Alguns "delicadamente" comportam-se como sanguessugas da felicidade, beleza, e bondade alheia, chegam sorrateiros e se apossam sem que o outro perceba, alguns são tão mais selvagens e rosnam entre sorrisos a vontade de destruir.

Pois bem, estou cansada e declaro guerra. Declaro guerra a mediocridade, a falta de dignidade entre os semelhantes, a soberba dos "poderosos", a todos os tipos de fome, a todo excesso, a todo instante que fui vil e a todos que me foram vis.

Sou humanamente incompreensível para mim, tenho e tive todos os medos, fujo e fugirei de todas as armadilhas que minha consciência puder revelar, infelizmente terei todos os tipos de fome e ainda sim sinto-me no direito de combater esses sentimentos nos outros e em mim.

Combato todos os dias os meus excessos, combato meu amor, minha dor, minha felicidade. Até minha felicidade é bombardeada e presa, pois em excesso vira mania, imprecisão e me deixa a margem da loucura de não saber o que ser ou fazer. Todo meu excesso me destruiu em algum momento e eu nunca recuperei o que foi arruinado. Mas o que sobrou fez de mim alguém mais forte e menos imediatista, embora o Hic et Nunc faça parte da minha natureza compreendi os "tempos perdidos", esses sempre foram exatos, mas minha compreensão precisou um tempo ideal e fora do contexto, me deixando por vezes perdida e indignada.

Meus dias continuam urgentes, mas não compartilho mais dessa necessidade, permaneço intensa, fiquei cada vez mais sensível, mas como disse uma grande alma: a sensibilidade deve ser administrada por quem a detêm, não pelos outros. Não sei até que ponto sou responsável pelo que sinto, mas estou sentindo muito em poucos, abdiquei de uma parte de mim e a parte não reclama.

Talvez ela tenha morrido, talvez durma para sempre ou talvez me visite para que eu não esqueça o que é a base da estrutura do meu ser.


  

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