segunda-feira, 3 de junho de 2013

Limite

Talvez eu nunca tenha vivido o equilíbrio de verdade.

Há histórias que vivemos e que arrancam pedaços quase vitais e quase impossíveis de serem refeitos.

O que realmente é a superação
Quando Maíra me perguntou sobre o amor, sobre as perdas, sobre o sofrimento, fiquei tonta com a força que os pensamentos gritavam em minha cabeça, era tudo muito consciente agora, depois de tantas euforias, furacões e intensidades, meu pensar era consciente, embora eu quisesse me perder para anular minhas culpas, já não existia essa possibilidade.
Não vejo crueldade no tempo, cruéis somos nós, desperdiçando e vivendo aos tropeços, ao tentar me perder cometo erros irreparáveis, erros que deixam grandes marcas nos outros, deixo marcado os que amo, principalmente os que me amam.

Não quis dar a Maíra essa impressão sofrida de alguns sentimentos, mas não podia deixá-la sem aviso, não podia dizer que tudo sempre ficará bem, que há apenas beleza no amor, que ao perder ganhamos experiência, apenas não podia deixar Maíra ir às cegas e pular num abismo sem perceber que estava caindo nele, Maíra não podia seguir a beira do abismo como se fosse um pulo de asa delta, um voo protegido, ela precisava de um insight e eu quis dar isso a ela, embora isso fosse pessoal e natural de cada um, sentia que Maíra não tinha percepção das coisas e pessoas.

Quando Maíra surgia o mundo era apenas seu parque de diversões, as pessoas eram o que havia de mais prazeroso, o flerte com o instinto alheio era uma lei nesse mundo, sentir o outro e doar suas mais intensas emoções.

Maíra gostava de brincar e navegar no primitivo, era puro hedonismo e lascívia.

Ela era inocente e ao mesmo tempo arisca, mas nunca de más intenções, ela era a contradição mais bonita que existiu. Mas pessoas como Maíra não duram muito, pessoas como Maíra não convivem bem, Maíra era livre no mundo dela, mas ao passar pelo portal do outro Maíra era uma afronta, todos queriam ser e fazer o que ela fazia, mas não podiam, não aguentariam, ser Maíra é dar a cara pra bater e com o tempo nem mesmo Maíra aguentou e então deixou de ser, conteve o que a fazia ímpar e se foi.