quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Coordenada

Tudo era possível naquele inverno, desde a "remissão dos pecados" ao ato pecador em si.
A tentativa não era bloqueada depois de sucessivos erros, na verdade o erro nos instigava a mudança e cansados de protagonizar um monólogo buscavamos deliberadamente todas as emoções, as entregas, os prazeres, os delírios.
A verdadeira beleza no caos urbano!
Esse era o propósito: extrair o belo, consumir o belo, absorver o belo.
Através dos vícios da selva de pedra conquistávamos entradas para o vale das feras.
Concluíamos que não se pode existir duas substâncias únicas no mundo principalmente quando há testemunhas da falta de pensar e no entanto excesso de palavras.
 
O todo era preenchido por ilusões e o autoconhecimento acontecia através do eu, mas precisava-se de um tête-à-tête com o outro e não comigo.
Meu jogo sempre foi uma avenida de mão única.
 
Interrogava-me, perturbava-me, sempre de primeira para primeira pessoa vagando precipitadamente no universo arcaico do sentir, alimentava utopias coletivas do que é a vida não conseguindo distinguir meus verdadeiros ideais.
Personalizando a vida através do outro, somos o outro de forma amplificada.
A maturidade me parece entediante e o tédio é uma dor de cabeça inicial e lenta que lateja até tornar-se insuportável.
O barulho dos carros, os anúncios, as promessas de felicidade, os templos noturnos afirmam o vício urbano e frenético de uma grande aventura que depois é traduzida como tentativa de camuflar o que é verídico.
As verdades absolutas e o que a sociedade cobra fragiliza o que nos torna especial.
É preciso enganar a si mesmo com uma vida secundária?
Opcional
Sou um produto que vende fantasias e como a finalidade de toda propaganda, sou a alma do negócio.
O que difere é que meu negócio é a vida. 




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