quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vert Foncé

Somos outros?

Qual pedaço da tua realidade te completa?

Você pode ser cor, música, bicho, palavra.

Poderia te denominar e classificar, mas como fazê-lo se teu campo é minado? 

Quanta interrogação ao falar de si e quanta delicadeza ao ouvir o outro.

Sob tua ótica tenho a lágrima densa, tenho o frescor de uma menina, sou tão intensa quanto o amor.

Dou a ti meu amor, meu melhor sorriso, minha verdade, minha caricatura e minha verdadeira face.

Descobre tua forma e desvenda a icógnita que sempre habita tua geometria

Tuas portas estão abertas, mas e as janelas?

Será que é tão difícil deixá-las abertas?

Fecha algumas de tuas portas, constrói tua realidade no que é tátil e então toca.

Descarta, entrega, suplica e não te negas.

Seja a água do teu deserto.


  

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Extrato

Uma vez disseram-me: gosto de entrar no rio e me afogar.

Então eu disse: gosto de entrar no rio, mergulhar fundo, conhecer o rio, correr o risco, mas afogar, jamais.

Minha natureza é intempestiva.

Moro no absurdo, sou decorada pelo acaso e admito não evitar a linha entre as passagens.

Habitada, confrontada, destemida, impaciente, real, vivida, reinventada, quieta, mas não moderada pela calma.

Ainda não descobri o dom, se é que existe, mas caminho pela estrada do acerto.

Erro naturalmente, brigo por errar, pois como a maioria, prefiro o acerto e não sou a favor do sofrimento para através dele adquirir sabedoria ou conquistar vitórias.

Engraçado é que na minha estrada dor e alegria andam enlaçadas e essa dupla me saboreia com pitadas de prazer, com desejo de confronto e não há nada que mais me prenda que a desorientação.

Ser linear é peça chave e no meu quebra-cabeça permito que seja posta e me dê razão, me faça razão.

Desfiz meu inicio e quero manter o meio que continua, continua e me desvenda.

Ando redescobrindo e conhecendo a mim e ao outro.

Costumo admirar quem amo, até porque só amo quem admiro.

Minha felicidade é do tamanho da febre que sinto, compreenda; não vivo em febre, mas ela existe.

Então me deparo com quem de fato sou e percebo que não existe essência imutável, existe sempre algo que morre ou permanece e assim encontro uma certeza; sou a resposta que o tempo dirá.




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mímese

Ser mulher e ser criança, entender a menina e surpreender-se com o furacão. 

Desvendar o íntimo adormecido e supostamente inflamado.

Viver os lados da moeda, os ângulos de toda geometria envolvida, a poesis, a métrica, a mistura dos campos enigmáticos e intelectuais de cada ciência.

Ser a tua ciência , tua poesia, tua viagem, teu encontro, tua alegria, teu alvoroço, tua capa, tua essência, tua vida.

Sem te ultrapassar, sem ser ultrapassada, assim ser livre, sermos livres... 
 
Sem mitos, despida, inteira e real.