quarta-feira, 9 de março de 2011

Estalo

Eu te permito.

Seja.

Ultimamente tenho sonhado muito e isso me perturba, na verdade tenho me debruçado em pesadelos terríveis e constrangedores.

Profundamente me perco e quase entro em inércia, meu alvo é delimitado de acordo com o que quero, mas sinto e então fujo ao que quero.

Ao amor eu deixo as faltas, as súplicas, meus medos e os acasos que rodeiam o caminho mais curto.

Ao amor deixo a minha solidão, a ausência, a deformidade do que é desejo.

Ao amor peço perdão, peço paz, sossego, peço paz mais uma vez e sigo.

Entro em pacto com ele e finjo ser imune.

Choro, choro e assim derramo o que petrifica minha vida por dentro, choro e assumo a responsabilidade de seguir em frente, choro e ouso ser feliz.

Eu mereço.

Não me preocupam as ausências, mas sim as faltas.

Finquei raízes em terras não férteis, meu sumo é amargo e sou tragado, como um viciado que se entrega ao momento do ir e vir de fumaça.

Eu te sugo, sou seu suco, penetra minha seiva, rejeita a fertilidade de outras terras e escraviza minha raiz em tua raiz.

Encarna e debruça tua dor em mim, eu suporto.

Mas não te envenenas. Não te deixas e não me deixa, mas não te envenenas.



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