quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

όνειρο

Podiam ter sido classificados como 'O entrar de cada estação..', mas os três momentos, as três ruas, e os enredos quase sempre outonais possuiam um pouco mais de chuva do que o inverno e menos calor que o verão, muitas vezes sufocante...

Muita cor, luz, contraste, perdem o foco quando a verdadeira cor se instaura dentro da tela.

E você de algum modo já deveria saber que cor é essa, já deveria compreender naturalmente a cor que, junto com a sua, forma a mistura perfeita e exata do abstrato.

A base do sentimento é sólida e como não poderia ser, se a base somos nós?

Por isso é preciso ultrapassar as regras básicas sobre a mistura das cores e brincar.

Usar os pínceis da fantasia, as texturas do acaso e não se prender as coincidências, pois
estão fadadas a criação de expectativas utópicas.

E utopia só deve existir num lugarzinho guardado que só a gente frequenta, pois assim não há culpados, não há dependência.

Devemos sim, visitar esse lugar de vez em quando, mas só quando somos capazes de saber deixá-lo.

Então depressa e em desalento sobre essas ruas e casas da ilusão saber entrar e identificar em qual delas deixar nossa herança, nosso pedaço.

Somos arrebatados por seres míticos que só nos visitam de eras em eras, onde os encontros ultrapassam linearidade temporal e nos descobrimos ali, em pedaços que outrora deixamos neles.

Romanticamente nomearia como Encontro de Almas, que vagando em suas mitologias se encontram e se percebem afins.

Meu "Paraíso"?

Visito sempre que posso, deixo-me ser engolida pela névoa e o ar com cheiro doce que inunda meus sonhos e desejos, lá posso tudo, reconheço meus mitos, vago entre Serva e
Rainha, absurdamente converso com meu inconsciente, e depois acordo e tudo volta; a vontade desse lugar encantado e a esperança de reencontrar minhas almas perdidas...



domingo, 2 de outubro de 2011

Simplesmente

A palavra essencial fica guardada, pois o tempo exato não configura mais quando deveria ter sido usada, admitida, constituída, enraizada.

A palavra fica e não se pronuncia, a palavra nega, a palavra conclui, mas não se expõe.

Na verdade se perdeu e nem a detentora da mesma sabe onde está e como trazer de volta, principalmente por não querer.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Metno

O mito existe, mas por hora não acredito mais.

Estamos todos regidos pelos caprichos íntimos dos desejos, iludidos pelos tais quereres que ultrapassam a beleza do amor.

As paixões dilaceram a alma, corrompem os corpos e nos fazem sentir o pulsar de cada minuto que passa.

A felicidade não é o prazer, compreenda; puro e autêntico prazer torna-se vício que despenca no vazio, este entregue a confluência de jogos regidos pela sedução.

Há muito tempo vive-se os últimos minutos do segundo tempo e é necessário finalizar o jogo e seus impedimentos...




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Linha

Tudo anda muito infinito e próprio. 
O instante coberto de lembraças não corre. Cada instante seguinte repete o anterior. 
O texto recebe realces, a palavra vagueia o querer e de novo comete-se o erro. 
O crime contra si mesmo é determinado por um fato que já não tem tempo. 
A pontualidade dos extremos e necessidade deles conjuga os verbos. 
É plano e real. 
É necessário? 
Que momento é esse que precisa ser vivido? Por que não anular? 
Para não cometer outro crime; negar.
 

 
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Reação

Costumamos valorizar aquilo que não temos e por isso, sempre projetamos e nos frustramos.

Nem todo pingo é do "i".

Qual teu verbo?

Entre as etapas adquiridas e subjetivadas a cerca da identidade e o que ela propõe delimito a linha exploratória da essência absorvida.

Uma cor poderia defini-lo, um animal poderia enraizá-lo, mas sua síntese só pode ser concluída a partir das etapas eliminatórias do jogo teatral.

Você teatraliza e pretende, e finaliza, e se perde, e se encontra.

Encarne a cor que te faz ser sublime, entra no teu "self", brinque com o título de "alfa", extrai a significância do devorar e decifrar, não te camufles de Esfinge, mas constrói teu reino, tuas idealizações põe em prática.

Queres espaço, então lute entre as arestas, pois o diâmetro do total só pode ser concebido pela extração da hipotenusa, a qual teu 90°pode superar os 360°.

Civilizar ou desconstruir o homem?

Na verdade é preciso humanizá-lo.



Coordenada

Tudo era possível naquele inverno, desde a "remissão dos pecados" ao ato pecador em si.
A tentativa não era bloqueada depois de sucessivos erros, na verdade o erro nos instigava a mudança e cansados de protagonizar um monólogo buscavamos deliberadamente todas as emoções, as entregas, os prazeres, os delírios.
A verdadeira beleza no caos urbano!
Esse era o propósito: extrair o belo, consumir o belo, absorver o belo.
Através dos vícios da selva de pedra conquistávamos entradas para o vale das feras.
Concluíamos que não se pode existir duas substâncias únicas no mundo principalmente quando há testemunhas da falta de pensar e no entanto excesso de palavras.
 
O todo era preenchido por ilusões e o autoconhecimento acontecia através do eu, mas precisava-se de um tête-à-tête com o outro e não comigo.
Meu jogo sempre foi uma avenida de mão única.
 
Interrogava-me, perturbava-me, sempre de primeira para primeira pessoa vagando precipitadamente no universo arcaico do sentir, alimentava utopias coletivas do que é a vida não conseguindo distinguir meus verdadeiros ideais.
Personalizando a vida através do outro, somos o outro de forma amplificada.
A maturidade me parece entediante e o tédio é uma dor de cabeça inicial e lenta que lateja até tornar-se insuportável.
O barulho dos carros, os anúncios, as promessas de felicidade, os templos noturnos afirmam o vício urbano e frenético de uma grande aventura que depois é traduzida como tentativa de camuflar o que é verídico.
As verdades absolutas e o que a sociedade cobra fragiliza o que nos torna especial.
É preciso enganar a si mesmo com uma vida secundária?
Opcional
Sou um produto que vende fantasias e como a finalidade de toda propaganda, sou a alma do negócio.
O que difere é que meu negócio é a vida. 




domingo, 8 de maio de 2011

Anatomia

Compreender tua estrutura organizada e desvendar através da biogênese qual esse outro que te "criou", permitir desconstruir tua espécime e te deixar cru, afim de observar teu transmutar e me lançar no que seria teu infinito.

Cada limite pertencido e ignorado: compreender.

Cada sede não saciada, procurar causa e efeito.

Aplicar as leis universais do óbvio e descobrir que o devaneio não é só um capricho da imaginação.

Conscientizar em si mesmo aquilo que você nomeia, ignorando os ritos e pertencendo a um mesmo ritual.

Contrariando a ordem, pois todo ritual nasce do rito, sendo assim, faço minha parte e te transformo em Mito.

Mas sabes que não és fábula, o que eu sinto pode ser tocado, nomearia como simbiose a interação do sonho e do fato.

Contemplaria e classificaria tua cadeia.

Em transe navegaria em teu sistema para me perder e explorar intimamente tua caverna.

Doar-me sem medo, recusas, livremente como um tipo de fenômeno atmosférico; vento, ventania, aragem.

Saciar a impetuosidade de tua natureza e aceitar o plano sistemático de caça e caçador.

Nobre, cíclico e inteiro.





segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo..

Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

Espécie de acessório ou sobresselente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos,
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio!...

Álvaro de Campos

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vert Foncé

Somos outros?

Qual pedaço da tua realidade te completa?

Você pode ser cor, música, bicho, palavra.

Poderia te denominar e classificar, mas como fazê-lo se teu campo é minado? 

Quanta interrogação ao falar de si e quanta delicadeza ao ouvir o outro.

Sob tua ótica tenho a lágrima densa, tenho o frescor de uma menina, sou tão intensa quanto o amor.

Dou a ti meu amor, meu melhor sorriso, minha verdade, minha caricatura e minha verdadeira face.

Descobre tua forma e desvenda a icógnita que sempre habita tua geometria

Tuas portas estão abertas, mas e as janelas?

Será que é tão difícil deixá-las abertas?

Fecha algumas de tuas portas, constrói tua realidade no que é tátil e então toca.

Descarta, entrega, suplica e não te negas.

Seja a água do teu deserto.


  

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Extrato

Uma vez disseram-me: gosto de entrar no rio e me afogar.

Então eu disse: gosto de entrar no rio, mergulhar fundo, conhecer o rio, correr o risco, mas afogar, jamais.

Minha natureza é intempestiva.

Moro no absurdo, sou decorada pelo acaso e admito não evitar a linha entre as passagens.

Habitada, confrontada, destemida, impaciente, real, vivida, reinventada, quieta, mas não moderada pela calma.

Ainda não descobri o dom, se é que existe, mas caminho pela estrada do acerto.

Erro naturalmente, brigo por errar, pois como a maioria, prefiro o acerto e não sou a favor do sofrimento para através dele adquirir sabedoria ou conquistar vitórias.

Engraçado é que na minha estrada dor e alegria andam enlaçadas e essa dupla me saboreia com pitadas de prazer, com desejo de confronto e não há nada que mais me prenda que a desorientação.

Ser linear é peça chave e no meu quebra-cabeça permito que seja posta e me dê razão, me faça razão.

Desfiz meu inicio e quero manter o meio que continua, continua e me desvenda.

Ando redescobrindo e conhecendo a mim e ao outro.

Costumo admirar quem amo, até porque só amo quem admiro.

Minha felicidade é do tamanho da febre que sinto, compreenda; não vivo em febre, mas ela existe.

Então me deparo com quem de fato sou e percebo que não existe essência imutável, existe sempre algo que morre ou permanece e assim encontro uma certeza; sou a resposta que o tempo dirá.




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mímese

Ser mulher e ser criança, entender a menina e surpreender-se com o furacão. 

Desvendar o íntimo adormecido e supostamente inflamado.

Viver os lados da moeda, os ângulos de toda geometria envolvida, a poesis, a métrica, a mistura dos campos enigmáticos e intelectuais de cada ciência.

Ser a tua ciência , tua poesia, tua viagem, teu encontro, tua alegria, teu alvoroço, tua capa, tua essência, tua vida.

Sem te ultrapassar, sem ser ultrapassada, assim ser livre, sermos livres... 
 
Sem mitos, despida, inteira e real.




 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Enredo

Parecia-se com um dia comum, na verdade um "estado" comum, uma cena repetida, uma história falida ou até mesmo muito boa e espirituosa.

Ela pegava as chaves, desligava as luzes de seu pequeno apartamento e ia, seguia, comparecia as suas vidas, rotinas, prazeres.

Uma cena tão típica e natural, uma cena de inicio de filmes onde as imagens falam e o narrador faz fluir.

Ela desceu as escadarias do prédio, olhou para o céu e sentiu aquela vontade e sentimento que emanava, mas gritava silenciosamente: eu posso!!!

Parecia um déjà vu , mas sentia naquele instante que aquilo era a vida.

Não é preciso estar "plugado" integralmente em atividades, eventos para comprovar que se vive. Viver ultrapassa jantares, badalações, exteriorizações e toda essa mitificação que o próprio ser humano criou afim de se iludir (suposição mais sensata). 

Iludir-se as vezes se faz necessário ao lado de algo que nós mesmos nem sabemos ou temos consciência de que está acontecendo.

Caímos em contradição ou percebemos que fazemos parte de uma fraude e desfazemos essa identidade, muitas vezes roubada, ou nunca percebemos e a tomamos como nossa verdade absoluta, o que não é ruim, pois se não temos consciência não é fraude.

Não estou julgando, que fique bem claro, apenas penso que muitas vezes contruímos um eu que nem mesmo sabe qual determinação prática deve ter quando é escolhido, imagine fazer parte de infinitas histórias mantendo fidelidade identitária com seu 'eu' original!
Compreenda que é uma questão de acordo com o meio e as circunstâncias e isso não diminui o quanto é nobre escolher o 'eu' e enquadra-lo na realidade do agora.

Tecnicamente o tempo existe, mas esse tempo pode ser individual?

O tempo é universal e imutável?

Subjetivamente falando, quanto tempo é preciso para que ocorra as transferências e adequações necessárias para a construção institiva dos comportamentos e "estares" individuais?

O narrador para e deixa a história acontecer por si só, assim as vidas personificadas ganham sentido e direito de se escreverem ou interpretarem seus pápeis.
E a história começa...

Meio?

Fim?

Pego a meada, o pedaço que não estava em cena, mas que justifica toda ação posterior.






quarta-feira, 9 de março de 2011

Estalo

Eu te permito.

Seja.

Ultimamente tenho sonhado muito e isso me perturba, na verdade tenho me debruçado em pesadelos terríveis e constrangedores.

Profundamente me perco e quase entro em inércia, meu alvo é delimitado de acordo com o que quero, mas sinto e então fujo ao que quero.

Ao amor eu deixo as faltas, as súplicas, meus medos e os acasos que rodeiam o caminho mais curto.

Ao amor deixo a minha solidão, a ausência, a deformidade do que é desejo.

Ao amor peço perdão, peço paz, sossego, peço paz mais uma vez e sigo.

Entro em pacto com ele e finjo ser imune.

Choro, choro e assim derramo o que petrifica minha vida por dentro, choro e assumo a responsabilidade de seguir em frente, choro e ouso ser feliz.

Eu mereço.

Não me preocupam as ausências, mas sim as faltas.

Finquei raízes em terras não férteis, meu sumo é amargo e sou tragado, como um viciado que se entrega ao momento do ir e vir de fumaça.

Eu te sugo, sou seu suco, penetra minha seiva, rejeita a fertilidade de outras terras e escraviza minha raiz em tua raiz.

Encarna e debruça tua dor em mim, eu suporto.

Mas não te envenenas. Não te deixas e não me deixa, mas não te envenenas.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A mesma coisa

Pós, pré, antes, depois...
Nomenclaturas.
Água fria, flores, muitas flores, muita cor, muita luz, música ambiente, no ambiente onde não há esse tipo de música. Sonho, sonho, sonho, sonhos que brigam com a realidade, a dureza e até mesmo todo prazer e satisfação que a realidade trás.

Existiam dois instantes ao mesmo tempo, dois mundos, mas apenas um sol e uma lua, os dois no mesmo lugar interferindo no contexto do tal sonho ou realidade.

Duas cores.  

A mesma palavra.

O sabor.

O limite.

A música.

O silêncio.

O medo.

A culpa.

A ordem.

O mundo.


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Fim.