segunda-feira, 7 de junho de 2010

Segmentada



Pelas faltas e desgraçadas linhas da universalidade do tempo grito sem direito ao silêncio.

Minhas vontades e desimportâncias frente a vida estão nulas, pois hoje me importo.

Não quero beijos falidos de verdade, muito menos sentimentos delirantes de uma madrugada infinita de querer.

Quero a destruição da tua massa e o que ela me provoca.

Quero negar tua falta e destrinchar os abismos que te comprometem e te fazem à esquerda.

Nunca quis os destros, ou melhor, nunca quis os inteiros.

Gosto da união das metades e pedaços arrancados sem pedir licença.

Quero temperamentos que me desmontem, que me destruam e me façam renascer para a vida a fim de concretizar a alienação de morrer.

Pragmatizo sentimentos e prendo-me as fatalidades de todas as decisões que estão por vir.

Não aos fins, eu vim do terreno dos meios e ao meio, não tenho começo.

Não tenho foco, não concretizo idealismos de uma alma insana e apoteótica.

Sou profana e não tenho pátria.

Se possível for, sou eufemismo de mim.


_____________________________________________________________ J. Góis _____________________________________

3 comentários:

  1. "Sou profana e não tenho pátria."

    Amei!
    Muito bonito o que tu escreve!
    To seguindo teu blog!
    Abraço.

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  2. Olá, obrigada pela visita ao nosso blog. Adorei o seu espaço. Caso queira divulgar um poema seu no nosso blog entre em contato no e-mail livros.literatura@gmail.com

    http://livrosliteratura.blogspot.com/

    Um abraço,
    Lara

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  3. Perfeito!
    Estava quase me convencendo de que eu só gostava mesmo daqueles poetas consagrados pelos livros de literatura... mas ainda tem muita coisa boa pra ser descoberta :}

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Pluralize.