quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quixote

São cheiros, frases, gestos e palavras não pronunciadas que transformam e perpetuam tudo que somos.


Todos os dias caminhavam, sentavam no banco da praça, confessavam por meio de metáforas o mais íntimo de todos os ideais e marcas vividos e ainda por viver.

Seu nome era Devir e sua briga era com o Destino.

Juntos eram fortes e se encontravam como o mar e o sol no crepúsculo dos dias que se arrastavam, os dias da semana contribuíam para demarcar as ondas do que chamamos vida.

As perguntas que nunca cessam são referentes a vida e o acaso é porta voz camuflado de tudo que é dito, feito e compactuado com o tempo.
Qual seu tempo?

Quero romance, quero toda a indústria da felicidade que o mundo e você pode me proporcionar.

Quero suas cócegas, nossos abraços, teu colo e essa monossilábica que só você pode pronunciar, pois é com você que me desvio, que me lanço e deixo Ser.

Um passado que é agora, um passado que como você mesmo diz; somos nós.

Quero capturar e tornar minha tua dor, queria poder arrancar essa saudade que dilacera tua alma, mas não se pode libertar as prisões causadas pela dor, assim como você não pode me dar o veredito da espera.

Hoje as palavras que me rodeiam trazem certezas frente ao Nunca e tudo que ele representa em nossa vida, hoje eu disse 'meu amor' com o sentimento maior do que todas as outras vezes.

Hoje o Devir e o Destino estão em sintonia e a maturidade que a vida trouxe torna firme as verdades que tanto negamos.

Queria poder dizer; segue teu caminho!

Mas teu caminho é feito da minha presença.

Peço retorno escrito do que você pode me dar, mas "rabiscos" num papel são pequenos diante as cicatrizes que guardo em relação a nossa vida.

E você vem e me sangra com o teu olhar, tua voz, tua forma, sangro de alegria plena e não admito fechar a cicatriz tão pouco estancar o sangue.

Sou coisificada em forma de mim e ao teu lado de fato ultrapasso as denominações do que é ser humano.

Minha metamorfose é inversa; Sou coisa e ao sangrar humanizo.

Que sentimento é esse que não se denomina?

Que maravilha é esse de Ser?

É você. Somos Nós.

Somos o foco de um filme de Álmodovar.

Somos amarelo, azul, verde e vermelho.

Somos primárias e por assim ser nunca chegaremos a um fim.

Esse ciclo está aberto e juro, não tenho o poder nem a coragem de fechar.


 



Um comentário:

  1. Muito bom essa postagem, voce está de parabéns! Escreve muito viu?

    beijos ;*
    Gabi

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