segunda-feira, 28 de junho de 2010

Direito legítimo

Percebi que a concretização da saudade é quando se teve.

Você teve e perdeu.

Algumas palavras dispersas no ar recebem significado excepcional e eu preciso que você identifique. 


Sua voz fica presa, seus olhos ardem e você já não quer mais sentir isso. 

Desculpa, eu não te desejo mais.

Você caiu na profundidade do vazio e não percebe que não posso mais te acolher, você precisa saber escolher sentir saudade e não resumir tudo em interminável vazio.

Hoje talvez eu não sinta falta, mas eu sigo normalmente e é isso, o normalmente me é banal e quando estou ao seu lado não consigo “desnormalizar”, porque assim eu desmoronaria e isso não aceito.

Gosto de escutá-la tocar piano, queria ter o dom, mas como não posso apenas aprecio e encontro o mais intrínseco de mim e paro.

Você me dá medo e me viola o tempo todo.

Num rompante Lígia encerra os silêncios e diz:

 - 
Nem que seja através do impossível calor que derrete diamantes, pela última vez me renderei a perdição. Nosso mundo não soa, só retorna ao declive de um começo. 

Teus lençóis, teus brins, teus mosaicos. Olha para mim, não percebe?

Eu sou teu móbile! Não tenho mais tempo.

Sou das linhas, da lira, da bossa. Meu cavalo branco é meu montante de lírios e orquídeas. Não pare, pois minha vida é tão efêmera quanto à de um beija-flor interrompido. 


Sou réstia de mim e teu espelho é como vidro que estilhaça por esforço humano.

Eu contenho desejos, mas você me induz ao hábito promíscuo.

Encerro as ligações com a infinidade que te rodeia.

Encerro meus pecados.

Encerro teu tempo, mas exijo ser tua. 













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