quarta-feira, 30 de junho de 2010

Self


Basta!

Exclama a individualidade humana.

Sou feita de blocos concretos, nomeações paralelas, livre, obscura, variante, egípcia.

A linha de observação imposta pelo que é permitido bloqueia minha dimensão e entro em transe através das linhas que me permitem te ver...

Sou um grito abafado, pela noite, pela vida, pela morte, pela liberdade.

Decoro as casas infames da mentira e do pecado.

Sou isca no mar da luxuria.

Não pragmatizo a vida, não me rendo a vaidades.

A verdade me finaliza, mas a verdade da qual falo é feita de toda cadeia de mentira que 
transforma o que nos aprisiona.

As prisões sociais distorcem e nos obrigam a compactuar com o jogo sujo do que se pretende ser.

E viva as identidades!

Criam-se valores, conceitos, novas morais e no entanto vazio.

A "nova" sociedade vive num mundo vazio de imediatismo e ansiedade

As novas fórmulas de felicidade saem caro e custa crer no que de fato é real ou apenas conveniência.

Onde ficam as opções, a tão falada liberdade?

Onde fica a verdadeira consciência e vivência quando se fala das relações humanas?

Felicidade é a nomenclatura que o mundo capitalista criou para poder manipular as massas.





segunda-feira, 28 de junho de 2010

Direito legítimo

Percebi que a concretização da saudade é quando se teve.

Você teve e perdeu.

Algumas palavras dispersas no ar recebem significado excepcional e eu preciso que você identifique. 


Sua voz fica presa, seus olhos ardem e você já não quer mais sentir isso. 

Desculpa, eu não te desejo mais.

Você caiu na profundidade do vazio e não percebe que não posso mais te acolher, você precisa saber escolher sentir saudade e não resumir tudo em interminável vazio.

Hoje talvez eu não sinta falta, mas eu sigo normalmente e é isso, o normalmente me é banal e quando estou ao seu lado não consigo “desnormalizar”, porque assim eu desmoronaria e isso não aceito.

Gosto de escutá-la tocar piano, queria ter o dom, mas como não posso apenas aprecio e encontro o mais intrínseco de mim e paro.

Você me dá medo e me viola o tempo todo.

Num rompante Lígia encerra os silêncios e diz:

 - 
Nem que seja através do impossível calor que derrete diamantes, pela última vez me renderei a perdição. Nosso mundo não soa, só retorna ao declive de um começo. 

Teus lençóis, teus brins, teus mosaicos. Olha para mim, não percebe?

Eu sou teu móbile! Não tenho mais tempo.

Sou das linhas, da lira, da bossa. Meu cavalo branco é meu montante de lírios e orquídeas. Não pare, pois minha vida é tão efêmera quanto à de um beija-flor interrompido. 


Sou réstia de mim e teu espelho é como vidro que estilhaça por esforço humano.

Eu contenho desejos, mas você me induz ao hábito promíscuo.

Encerro as ligações com a infinidade que te rodeia.

Encerro meus pecados.

Encerro teu tempo, mas exijo ser tua. 













quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ir


O que quero provar?

Na verdade será uma passagem?

Uma forma de me completar diante as duas faces e até mesmo diante a duplicidade a qual tanto vagueio?

Os pedaços que nos faltam são adquiridos através do outro e da experiência vivida.

Talvez esse seja o caminho para uma desconstrução do que me faltava e do que ainda não me completa.

Caminho sob a linha da duplicidade e estou diante do novo. 

Minhas definições e estigmas caíram por terra e minha universalidade parece contrapor ao que é único.

Dois passos e um pouco mais é a liberdade que preciso agora.

Estou entregue ao risco de ser nomeada e os rótulos são papéis construídos pela cadeia humana de animais não entregues aos seus instintos.

Não racionalizar é de uma graça absurda e o carma  do ser humano é ser racional.

Este rótulo; "Homem, um animal racional." aprisiona a liberdade, o desejo, o instinto e o íntimo que guia as criaturas. 

A loucura humana é mais misteriosa do que o sentido da vida, ninguém está preparado para ser insano.

A vida ritualiza as relações pessoais e a loucura desmascara agressivamente os paradigmas impostos pelo homem.

Viver é comercial, ser entregue ao mundo é absolver-se das limitações impostas pela negociata do Ser em sociedade.

A maioria das pessoas Está e não É de fato.

Os fatos te paralisam e você regride por medo do novo, do inesperado.

Desconstruir o passado é um doloroso fardo preenchido da angústia de uma morte premeditada.

Ao determinar a morte ultrapasso a loucura e não consigo ser afetada.

Não sentir a morte é a dádiva dos loucos.

Matar você em mim talvez seja o maior pecado que cometerei contra nós, mas morrer as vezes é necessário.

No entanto confesso; Não se mata o passado, vive-se apesar de e se constrói um novo futuro, um novo rótulo, uma nova identidade.

Não quero uma via de mão única, sou adepta as possibilidades que o Destino me oferece.

Não é digno negar a felicidade e hoje posso dizer: Permita-se!



Segue


Custa imaginar o novo desordenado e a complexidade humana da imagem desconstruída depois de tantos anos.

Eterno é aquilo que não pode ter fim, no entanto finalizo-te e aproprio-me do teu início.

Embarco em conflitos de uma viagem sem denominação e a incerteza aleatória das tuas verdades.

Entro em teu desuso e quebro tuas ordens, tuas certezas, desfaço as tuas configurações e ainda não ultrapasso o perpétuo que te rodeia.

Levo um tapa e descubro que sonhava. Estou deitada, olho ao redor e vejo além de branco, azul e flores uma imagem que me parece a TV absolutamente distorcida.

Pareço falar, mas ninguém ouve e não consigo me mexer. estou paralisada tentando entender o que me acontece ou aconteceu.

Sonhava que mantinha diálogo?

Mantinha diálogo?

Será que morri?

Leve-me daqui e me liberte dos passados e descontentamentos que o pensar me trás.
Livra-me, desfaz, distrai e transforma.

Transporta teus sentimentos para além de. 

Ouça os pássaros, leia as nuvens, distraia seu corpo.

Eleve os níveis de tua cadeia, aguce o doce da tua vida, desabafe.

Continuo em passos largos um destino desmistificado, trago as verdades, as seitas, as transições.
 
Sou adepta de mim, da minha carne, da minha vida e não vivo mais de uma ilusão, pois desta eu já cansei.



 Ps: ao som de Segue o teu destino na voz da Bethânia.
 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Segmentada



Pelas faltas e desgraçadas linhas da universalidade do tempo grito sem direito ao silêncio.

Minhas vontades e desimportâncias frente a vida estão nulas, pois hoje me importo.

Não quero beijos falidos de verdade, muito menos sentimentos delirantes de uma madrugada infinita de querer.

Quero a destruição da tua massa e o que ela me provoca.

Quero negar tua falta e destrinchar os abismos que te comprometem e te fazem à esquerda.

Nunca quis os destros, ou melhor, nunca quis os inteiros.

Gosto da união das metades e pedaços arrancados sem pedir licença.

Quero temperamentos que me desmontem, que me destruam e me façam renascer para a vida a fim de concretizar a alienação de morrer.

Pragmatizo sentimentos e prendo-me as fatalidades de todas as decisões que estão por vir.

Não aos fins, eu vim do terreno dos meios e ao meio, não tenho começo.

Não tenho foco, não concretizo idealismos de uma alma insana e apoteótica.

Sou profana e não tenho pátria.

Se possível for, sou eufemismo de mim.


_____________________________________________________________ J. Góis _____________________________________

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quixote

São cheiros, frases, gestos e palavras não pronunciadas que transformam e perpetuam tudo que somos.


Todos os dias caminhavam, sentavam no banco da praça, confessavam por meio de metáforas o mais íntimo de todos os ideais e marcas vividos e ainda por viver.

Seu nome era Devir e sua briga era com o Destino.

Juntos eram fortes e se encontravam como o mar e o sol no crepúsculo dos dias que se arrastavam, os dias da semana contribuíam para demarcar as ondas do que chamamos vida.

As perguntas que nunca cessam são referentes a vida e o acaso é porta voz camuflado de tudo que é dito, feito e compactuado com o tempo.
Qual seu tempo?

Quero romance, quero toda a indústria da felicidade que o mundo e você pode me proporcionar.

Quero suas cócegas, nossos abraços, teu colo e essa monossilábica que só você pode pronunciar, pois é com você que me desvio, que me lanço e deixo Ser.

Um passado que é agora, um passado que como você mesmo diz; somos nós.

Quero capturar e tornar minha tua dor, queria poder arrancar essa saudade que dilacera tua alma, mas não se pode libertar as prisões causadas pela dor, assim como você não pode me dar o veredito da espera.

Hoje as palavras que me rodeiam trazem certezas frente ao Nunca e tudo que ele representa em nossa vida, hoje eu disse 'meu amor' com o sentimento maior do que todas as outras vezes.

Hoje o Devir e o Destino estão em sintonia e a maturidade que a vida trouxe torna firme as verdades que tanto negamos.

Queria poder dizer; segue teu caminho!

Mas teu caminho é feito da minha presença.

Peço retorno escrito do que você pode me dar, mas "rabiscos" num papel são pequenos diante as cicatrizes que guardo em relação a nossa vida.

E você vem e me sangra com o teu olhar, tua voz, tua forma, sangro de alegria plena e não admito fechar a cicatriz tão pouco estancar o sangue.

Sou coisificada em forma de mim e ao teu lado de fato ultrapasso as denominações do que é ser humano.

Minha metamorfose é inversa; Sou coisa e ao sangrar humanizo.

Que sentimento é esse que não se denomina?

Que maravilha é esse de Ser?

É você. Somos Nós.

Somos o foco de um filme de Álmodovar.

Somos amarelo, azul, verde e vermelho.

Somos primárias e por assim ser nunca chegaremos a um fim.

Esse ciclo está aberto e juro, não tenho o poder nem a coragem de fechar.