terça-feira, 27 de abril de 2010

Último ato

Sabe o raio que não cai duas vezes no mesmo lugar?


A mulher que acha que o marido é fiel?


Que HIV é coisa de homossexual?


Que drogado é sempre o filho do vizinho?


Que triste é quem não casa?


Que amor é tudo e dinheiro não traz felicidade?


Sabe de tudo isso? De todos esses?


Diferentes em aspectos, em modos e afins, essa é sua genealogia, tão primitiva e atual. Uma espécie de divina procedência e nesse caso é procedência mesmo, linhagem de um mistério incógnito e minúsculo.


Em cada elemento sou uma reação química, pois minha natureza é ácida e camuflada. Já me rendi aos santos e orixás, mas minha seiva nega qualquer envolvimento que viole a oposição do que me forma.


Não faço pelos meus vícios, mas quem os fará?


Preservo uma imparcialidade, descobri que o corpo tem vontade própria e falo de puro osso e músculo.


Entenda, a pele é adversária do tempo, por isso preciso te falar sobre minha última vez.


Ando fraca e estou rendida.


A bebida não me sacia, minha alma está enjoada, mas permaneço acelerada. Permaneço para tentar ultrapassar as linhas do tempo, então percebo que o tempo não possui linhas, mas é tragicamente medido.


De fato não escolhi ser a exceção da regra, mas te peço; ama meu avesso e me sente. Tenho vivido uma sucessão de enganos e meu discurso soa tão falso quanto minha vida. Não quero ser culpada pelas tuas ilusões ou projetos de amor, pois odeio te amar e me prender a uma história inútil.


Você é a mentira a qual sustento minha vida, sabemos que o meu amor não existe, eu o invento para poder suprir a necessidade das regras.


Eu te alimento porque tenho medo de viver minha verdade, na verdade alimento o que dói em mim.


Ando esgotada das pessoas e venho me fechando cada vez mais. Escuto músicas que me refletem legitimamente, mas não encontro um alívio. O mundo me obriga a mostrar meu contrário e eu luto contra a obrigação de Estar. Sou resumo de um talvez consciente e premeditado e por ser assim não saiba amar.


Uso o curinga para divertir a platéia, de fato esse é o jogo que todos pagam para ver.


Por fim sou mais delatante nos bastidores e a profundidade do meu essencial muda a cada personagem.


Você me batiza, me abre, me sente. Como uma cruz erguida, vi a queda de tua forma e eu não tenho culpa. Juro!


Quero compor em linhas futuristas um Sol maior que o da minha orquestra, só quero o mundo a meu dispor.



Um comentário:

  1. Adicionei seu blog nos meus Desabafadores!!!
    Você escreve lindamente, vou sempre vir aqui!

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