quarta-feira, 21 de abril de 2010

Nascimento

Um dia ele chegou. Abri a porta e adivinha, dei de cara com um início. Não sabia seu gênero, seu passado, mas percebi que veio a mim em forma de acaso.


O homem é feito do acaso do mundo, desprevenida percebi que fui posta a um novo começo e dessa vez decidi aceitar. Agradeci, fechei a porta e o acolhi.


Como um bicho fora de seu habitat não emitia sons, era de poucos gestos e parecia ter medo, mas o acolhi. Entendi como um presente do destino e um tipo desses não se pode recusar.


Era meigo e doce. De maneira imprevisível ele veio e me tomou por completo. 


Aos poucos ele foi crescendo, tomando forma e delimitando espaços. Apesar de bicho era humanizado e possuía uma incrível pontualidade de hábitos e vontades. Suas horas eram determinadas a partir de seu sono. Ele foi mudando e eu mitifiquei seus potenciais, para mim eram mais que oitenta.


Era gordo, branco e peludo.


Vomitava uma vez ao mês, fazia suas necessidades quatro vezes ao dia, bebia pouco leite e durante o dia beliscava inúmeras vezes seu alimento. Era forte, companheiro e a todo tempo extraia o melhor de mim. Mudou minha vida, rompeu meus paradigmas de felicidade e me fez esquecer o passado que eu não quis, mas contribui.


Começou a envelhecer e tornar-se mais uma vez o início. Era eloquente com os olhos, com os gestos, com os hábitos.


Era um filho, foi um filho.


Talvez o que eu não tive. Talvez o que eu não quis, mas era meu.









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