quinta-feira, 29 de abril de 2010

As ruas e esquinas parecem diferentes, os bancos, os pássaros. Vejo tudo e me pergunto sobre o nada. 
 
Entro em regresso em busca de um passado que já não volta, meu sentir faltaé tão mais intenso do que eu e então pergunto sobre como viver.
Quero uma fuga para um lugar bem distante onde eu dite as regras e onde seja soberana.
 

Eu te disse, lembra?
 

Disse como os reflexos atrapalham, disse como a saudade não dói, o que dói é a falta, te contei sobre a falta e sobre o vício de reencontrar o que se teve.
 

Meu medo agora é ter.
 

Tenho uma vaga idéia de alucinação, não precisa ser de viés químico, vem de metabolismo, mas é preciso que seja agora. Cumpro o meu ritual, mas há algo que falta, sei bem disso, sei sobre as flores, sobre as canções, os filmes, sei sobre as cidades, mas não tolero mais a situação de não poder dizer: sei de você
 

Você é meu estranho, meu insólito, meu ás, mas não sei de você.
 

Eu te aborreço, te procuro, e assim te perco, mas não sei de você.
 

Conheço teu corpo, teu cheiro, teu modo, te odeio, te esnobo, mas te desejo.
 

Quero definições, quero certezas, mas não há certezas, não há regras quando tento saber de você. Tudo que te falo tem muito de mim, minha palavra me denuncia, minha palavra é meu punhal, é alucinada de mim e agora eu começo a transcender, porque quando a palavra está em jogo é tudo ou nada, não marco passos falsos, encontro meu contexto e sigo a linha oblíqua da eternidade. 

Quebro e meu corpo precisa ser riscado por ritos pessoais, secretos e diários. 
Assim meu ambiente foi obrigado a viver sem cores e excessos, conheci o passado e parei de brincar com o tempo.

Observava e sentia um mundo diferente ao meu redor, sentia certa vibração, sentia que tudo encaixava da forma que a gente deveria sentir que encaixa e não como se deve.
Percebi então minhas divagações de por que e para que, já que meu vício resume o meu ponto de partida e todo ponto de partida tem um por quê


Tudo presta, mas nada se enquadra.

Sou absurda e faço parte da peça que inventaram, me puseram e nem perguntaram se gostaria de participar ou não.
Foi Ele.
A culpa foi Dele: o Alfa e o Ômega. Fui posta e devo arcar com o que me é dado em prova de sobrevivência.

Talvez te culpe pela premeditação da criação universal e te devote instintos não tão humanos assim. Somos parte de ti, mas qual é a porcentagem de tua veia humana já que és tudo?

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