segunda-feira, 25 de julho de 2016

Das [im]precisões da madrugada II

Surpreendente, não mais que convincente contexto.
Elemento da estrutura de um passado, que transborda os desacordos do presente.
Oh, que gente inconsequente, de deixar de realizar o louvor do sentimento.
Cobrindo um corpo em prazeres animais, numa luta entre o sentir e o que já não se sente mais, por compreender, mas não aprender, que o que aqui flameja e incendeia, lá se apaga num ranger de dentes.
Cale aí dentro deste coração idiota, que se acostumou a viver uma especie de chacota, sob ilusões que preenchem os universos do Ocidente.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Mesovórtices II


Um dia o vento trouxe uma mensagem.

Sustentou que a vida dela, precisava ser dilacerada com tanta crueldade, com tanta dor, para que assim, ela tivesse forças para sorrir e seguir o seu caminho. De outro modo não poderia, pois, seria ela que destruiria o mundo ao seu redor.
Afirmou que as falhas e os medos, foram os acertos do incompreendido. 
Confiou a ela uma história, que só ela podia escrever e que guardasse o divino, sempre num lugar que pudesse recorrer para agradecer e explorar. 
Condenou seus sentidos a uma sensibilidade dolorosa, que precisa e sempre precisará ser domada.
Fez ela destruir lugares e domar dragões. Ela tem monstros milenares, os quais na medida do possível estão domados e subordinados pelo seu poder.
Houve um tempo, o qual os ventos não trouxeram mensagens e ela chorou, mas, pouco a pouco, compreendeu que a temporalidade e ação do vento, não depende e jamais dependerá da vontade dela, então, ela sossegou, e o vento trouxe mais uma mensagem.
Desta vez ele trouxe apenas uma palavra, que ela guardou e vive até hoje em toda sua potência de realização tátil e irreal. 
A tradução do sentir, do querer, do viver universalizada em um único signo linguístico: amor. 


domingo, 3 de abril de 2016

Transversal


Uma razão obliqua de ser, inunda as incertezas daquele cotidiano e mundo tão óbvio.
Tudo querer; amor, sucesso, prazer, sentir, dinheiro, poder.
Os passos iniciais de todas as danças foram comprometidos pela rigidez dela, que impunha condições de “exposição” para si. Nunca era observada aos próprios olhos, não sabia de si, muito menos do si de seu comportamento e vontades. Era só apresentação, não tinha verdades, mentiras, desejos, muito pouco, a única coisa que a concretizava em nosso mundo, era a fome. Era um animal perdido, arrebatado pelas amarras da condição de estar e do servir no mundo.
Configurada num ápice de faltas e descrenças, uma imperatriz do não-ser, embora fosse tudo, mas não sentisse nada, produzia aos demais todas as sensações, todas as vontades, todos os quereres, ah, se antes soubessem que ela era imune aos sentires, pobres homens contextualizados de liquidez, nunca compreenderam nada, nunca conseguiram fazê-la sentir, foram sempre a personificação dela sem pedir licença, foram sempre enviesados pelo que ela arrebata e pelas consequências do que produz.
Conhecemos alguém pelas consequências, pelos fatos, pelas palavras?
Uma palavra é tudo e nada.
Imaginaram uma condição de poder estar neste mundo e interpretaram cada um a seu modo.
A tradução do desejo é uma só; ultrapassa as espécies e se produz insanamente independente do objeto, o outro é uma captação de si, uma realização do meu desejo de desejar, um desejo nasce sozinho, mas completa-se na ilusão da fusão dos seres, muitas vezes mais do que na concretude da solidez dos corpos em ação. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Da primeira manhã

Quero um sol ameno para iluminar meu dia, minhas ideias.
Quero um sol que clareie cada pedaço obscuro de mim, não precisa me espantar a face, muito menos me queimar para demonstrar e exercer seu poder, quero um sol que me pertença, que me encontre, que me descubra, que me percorra...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Das [im]precisões da madrugada

Um mundo nasce e os homens se encantam com as novidades trazidas por esse universo de individualidades, que se constroem, diante daquilo que surge.
Era um nascimento de passados, veja, que contradição; o nascer do velho?
Mas, passado e velho podem não dialogar, o passado é já, o velho, nem sempre se relaciona com o jogo do tempos.
Qual teu tempo?
Quanto tempo ainda há?
Há tempo para perder?
Há tempo para ganhar?
Para além dos relógios e delimitações mecânicas do tempo, para além das ligações entre as horas que o constituem, que o Devir sobreponha as invenções temporais da lógica.
Das im[precisões] da madrugada, peço aos guardiões das horas mais tempo, mais vida, mais poesia, mais paixão, mais dos quereres que sacodem as lógicas e vontades reais e paralelas.
As interpretações da minha lógica falham a cada instante que ouso materializar as equações do que não é exato.
Não é preciso precisar o amor, basta senti-lo.

Do Impulso III

A vida é um deslumbre, me amedronta, me surpreende, me desconcerta.
O ser humano é muito contraditório e não sei lidar com isso. Não sei lidar com a minha contradição e me confunde a contradição do outro. 
Tenho me perguntado sobre os encontros e desencontros da minha vida, alguns deles me transformaram, outros, ainda configuram movimentos emocionais, os quais, me deixo levar, mesmo morta de medo. 
Hoje tenho tanta coisa pra dizer, mas travo entre as palavras que se escondem de mim.